CANCIONEIRO DO GAIO
 

 

 

 

 

 

 

 

 


As penas do verde gaio

O verde gaio é meu

São verdes e amarelas

Mais da minha prima Ana.

Não me empurres se não caio

Tenho o verde gaio escondido

Não me tenho nas canelas.

Debaixo da minha cama.

 

 

 

 

As penas do verde gaio

O verde gaio é meu

São amarelas e brancas

Mais da minha prima Ana.

Não me empurres se não caio

Quando eu não te enganei

Não me tenho nos tamancos.

Nem o diabo te engana.

 

 

 

 

Ó gaio das penas verdes

O verde gaio é meu

Empresta-me o teu vestido

Que me custou o meu dinheiro

O meu vestido são penas

Custou-me quatro vinténs

Eu também de penas vivo.

Lá no Rio de Janeiro.

 

 

 

 

O verde gaio roubou

Eu vou dar as despedidas

Uma chave ao serralheiro

Como o melro deu ao gaio

Para fechar o meu amor

Raparigas do meu tempo

Na gaveta do dinheiro.

Se quereis comer, ganhai-o.